domingo, 7 de agosto de 2011

Os anos passam?

Frágeis. Somos vulneráveis. Na infância todo ser humano é assim: inocente, frágil, vulnerável... Eles crescem e... De onde vem a coragem? Essa é uma pergunta sem resposta, a resoluta dúvida que somente no infortúnio, na morte mesmo, encoraja! E em sua derrota anima a alma a ser forte.

Faz-se a vontade do tempo, talvez? Neste momento o ser humano está num confinamento contra si mesmo. Como a água do mar que bate no abismo tentando correr livre, mas é incapaz de ser...

Quem no sentimento espera assim age. Conformidade. O pássaro, que ao cantar se engrandece, e torna forte o corpo aprumado. Embora cativo, seu poderoso canto diz: o pensamento é humilde; o ser humano devia ser mais humilde. Por que ele não percebe o quão puro é o regozijo? Ele é incapaz de realmente ser HUMANO do latim humanus que quer dizer – além de "do homem ou a ele relativo" – BONDOSO. Isto é mortalidade, isto é eternidade.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Mulheres sangram

Hoje comecei a ler um livro que conta história de várias mulheres. De repente, pensei em mim! Mulher! Mulher! Às vezes eu me sinto menina, mas meninas são mulheres! Por que as mulheres são frágeis? sensíveis? Será que sou assim? Na verdade, acho que não! Conheço mulheres de vários tipos... mulheres são Mulheres!

Mulheres sangram. De tão recortadas, há dobras e rasgos:
o fio mais espesso se esvai pelo túnel da história,
pelo susto da primeira fêmea raptada.
Pelo rapto: corpo convertido em pedaços. Universo encerrado
num plano de riscos com régua e esquadro.

Mulheres sangram. Pelo medo subterrâneo e ancestral.
Que mela as pernas de vermelho escuro, da morte
que fermenta em cada: clitóris decepado, lençol exposto
das primeiras núpcias, castigo de escrava: surra e sêmen,
mágoa de ser vista como o outro de um modelo arbitrário.

Sim, as mulheres choram e sangram.
Queimam sutiãs entre um silêncio e outro.
Fogem de prospectores e vigias.
Ou se entregam a isto: ser fetiche.
Sem saber o que menos machuca.

Sangram. E as maçãs, afogueadas. De bruxas (entre chamas), adúlteras (debaixo de pedras), virgens (para compra, venda e estupro), esposas (ainda são úteis). E outras, (plastificadas) em anúncio de xampu.
Algumas enlouqueceram: puseram na boca palavras sujas
e deixaram crescer os pêlos para mostrar de quem era o poder.

Choram. E é esse o seu poder, mulheres loucas.
Universo que irrompe, explode em estrelas do escuro mais fundo,
e se expande. Desaba do Céu e afunda na rota do sêmen,
mas levanta. Recebe no corpo a morte e a vida do Outro.
(Na vertigem, sangramos).*

Esse poema mexeu muito comigo. Ele é muito forte, chega a ser agressivo! Mas ele também demostra o quão forte são as mulheres. Recebe no corpo a morte e a vida do Outro. Acho que não tenho muito a dizer. Deixarei a tarefa de reflexão para cada um que ler esse post. Acho que estou sangrando por dentro (às vezes as sensações são tão fortes que reviram nossos sentimentos...)

*poema de Maiara Gouveia

Noite

A sapatilha marrom de fitas
envolvendo a meia azul turqueza
a calça colorida em listras
a camisola estampada
o cabelo úmido
solto e
livre
cobrindo a nuca
nua
em pela

Um corpo quente
que apesar das cores
exala tristeza
insegurança
ameça ao mundo
feito fita presa na janela
que quer voar
mas não está solta para seguir o vento
que arrasta-a

Amor
Mais um corpo que pede à noite
Amor.
Somente ele tem as cores para
vestir a sua alma

terça-feira, 5 de julho de 2011

Estamos aqui?

Aqui, não quero me fazer hipócrita.
Quero expor minhas fraquezas, mostrar minhas impotências, escancarar minha realidade e desvendar cada pedacinho mínimo que me recaem às mãos. Quero que cada um deles desfaça-se de minha carne; a fim de me procurar, procurar a mim mesma, ao que realmente sou e posso ser.
E é assim que lhes digo que quando chega à noite, os membros chegam, recolhem-se à sala, impõem para que os membros menores fiquem ali, para supostamente ficarem juntos. União forçada desde o início dessa instituição, mas aqui estamos, aqui permanecemos; Hipocritamente, com letra maiúscula.
Ali estão eles, sentados quietos e calados, reclusos aos seus lugares individuais com suas necessidades básicas de sobrevivência, postos a dormir, postos a comer, postos ao não, postos a se calarem.
Sentam-se na mesma mesa, viram a tela alienadora de correntes e porções que injetam na veia, corre à cabeça, pulsa no pulso do corpo e os cala, cada vez mais por vontade própria.
Não vêem a paisagem de uma cidade inteira posta a sua frente com lusinhas pequenas, tão majestosas, tão grandiosas, com tal complexidade; que poderia unir-lhes num pensamento comum englobando todos aqueles que estão sentados um a frente do outro, poderiam fazem por borbulhar a imaginação e encher de luz os olhos, corpo e caminhada.
Mas não, não vêem, não olham, não pensam, e sim, se fixam a sonhar com um lugar distante que é mostrado na encenação bastarda da tele impregnante, réplica da arrogância e bestialidade do ser humano. Esta, a única que eles amam tomar bons goles todos os dias, em todas as ações.
Cada um naquele exato momento, a cada segundo batido no tempo fazem ser um nada no vazio. Sem união, sem paixão, pensamentos reclusos e longínquos de cada Vida entregue aqueles corpos. Corpos que se fazem de mortos. Bebem de copo ardo para ficarem bêbados de alienação, tontos de realidade, felizes em um mundo que não existe. Sabem do que há ao redor dos olhos e do tato falso, mas amam a morbidez de poderem morrer sendo mais um número no Índice Populacional Mundial.
Seres Humanos de todas as partes, se tornem humanos, façam-se melhores, neguem a arrogância. Tentem mudar cada canto, mínimo e profundamente mundano, por isso é possível. Gastem, usem, raspem, machuquem, abusem, e se lambuzem de amor pela Vida que a possuem, de Amor pelo mundo, de Amor por algo realmente melhor.

domingo, 29 de maio de 2011

Viver livremente nós mesmos

Sobre o que a Tha falou e eu andei querendo falar mais...
Cada tempo é um tempo... Sabe, eu penso muito nisso. Hoje, eu tenho tempo livre no final do dia, na sexta, no final de semana por conta da minha idade que me dá menos obrigações, pode ser... Com tempo podemos fechar os olhos e não pensar em nada ou podemos abrir os olhos e observar cada canto que queremos com a atenção devida.
Alguns dizem que só podemos pensar quando temos tempo. Bem, eu não concordo totalmente com isso, quando o cotidiano nos domina o mais natural é nos anestesiarmos e levarmos a vida sem pensar nas ações, seguindo as ações, ações que são as nossas "obrigações", "deveres", os tais "papeis sociais"; porém devemos nos fazer ter tempo, nos fazermos pensar em tomarmos os nossos desejos como causa maior, pois eles são a nossa real verdade, eles nos fazem sermos nós mesmos - digo: faça seu tempo, a real liberdade é que se mantém dentro de correntes, essa quando queremos, ninguém nos tira.
A tal falta de tempo muitas vezes acaba por nos empurrar  à uma medida na qual paramos de ver poesia, de sorrir, de chorar. Paramos de observar a rua, de ouvir música, de ver os filmes que gostamos, de sair para os lugares que nos cativam etc, tudo porque a rotina nos engole, nosso corpo é ocupado por um todo e o tempo livre é o que usamos para dormir. Assim, o tempo de nossas vidas vai passando e muitos quando chegam lá na frente aí que conseguem o tal tempo para olhar pra trás e vêem que muito do que fizeram não foi por vontade, desejo, sonho, foi por sobrevivência talvez.
Algo, muito normal e triste que está acontecendo nessa sociedade, o capitalismo é o sistema que participamos sem nunca terem perguntado se queremos participar, e ele é o rei que não percebe que dinheiro por dinheiro, riqueza por riqueza no final não leva a nada, é fútil e vazio. Mas junto com essa riqueza foram gastas muitas vidas, a humanidade vai correndo sem achar sua felicidade...
Quantas pessoas desejaram tocar música em vez de ter que ficar num escritório vendo papéis, quantas pessoas não queriam dormir mais, queriam dançar, queriam ler um livro, queriam andar no parque etc, mas não fizeram isso porque precisavam trabalhar, precisavam fazer isso pelo dinheiro que ia dar comida à sua família. Que seja, mas lá no final seria tão mais bela uma vida contada por um recheio bem grande de experiências, de descobertas, histórias rendidas desses desejos realizados.
Ah, eu não sei, acho que essa vida não vale nada se não fizermos os nossos desejos. Como ainda não conseguimos mudar o sistema, essas correntes aí, temos que lutar para permanecer todos os dias o brilho nos olhos, como de uma crianças que descobre e se encanta constantemente, vivendo sob sonhos, procurando poesia, ditando o que nos faz feliz, correndo atrás do que deu vontade de fazer; se perdermos isso, morremos em vida. Tem que haver cuidado para a anestesia não pegar!
Não que sejamos ainda mais individualistas por estarmos em um mundo com sentido só para nós mesmos, não é isso que quero falar. Mas jamais, deixarmos de Viver por algo que não vai nos acrescentar em nada. Precisamos fazer o sentido de nossa vida, carregando liberdade dentro de nós para que essa seja muito boa, para nós e para a humanidade.
Essa música fala bastante...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Sexta

Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.
(Drummond)

Se tem uma coisa que agora não faz mais diferença são as sextas-feiras! Amanhã é sexta-feira! Ah, em toda minha vida escolar, sempre que chegava sexta eu pulava de alegria. Era chegar em casa e eu só voltaria a mexer na mochila no domingo a noite, ou melhor, na segunda pela manhã.rs! Eu assistia filmes, lia algo que estava super empolgada em ler, ai ao cinema com os amigos, passeava na praia e curtia as melhores sensações do mundo, nos finais de semana eu fazia as coisas por prazer, não por obrigação. Ultimamente parece que a semana vai de segunda a segunda. Quantas lições, quantos artigos, quantos exercícios de Latim (Oh my god!), quantos textos pra ler e fichar! A sorte é que mesmo tendo acabado com a minha “pobre” vida social, eu estudo aquilo que gosto. É claro que eu não fico super feliz em passar finais de semana inteiros lendo, mas acabei descobrindo que Letras é o meu lugar. Às vezes penso em deixar a mochila um pouco longe de mim, sabe? Mas sinto algo estranho, e sei que se eu não fizer o que – pelo menos hoje – são minhas obrigações, posso me dar mal, parece até que me falta o ar. Lembrei-me de uma frase da Adélia Prado que faz todo sentido com o que estou sentindo agora, ela dizia: "me lembrando de quando tinha dezessete anos e amanhecia comendo o mundo, tão feliz que acendia lâmpada com os olhos". Talvez eu quisesse voltar aos dezessete, mas só por alguns instantes...