quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Rumo ao 3º ano!

Talvez essa seja minha última publicação do ano. Chego agora na metade do curso de Letras... Esse semestre foi a minha “prova dos nove!”... Sorte que tudo deu certo e, assim, rumo ao 3º ano! Foi um semestre de boas experiências, alguns desesperos, inseguranças, alegrias... Na verdade acho que os seres humanos estão sempre de prontidão, à espera de algo, de uma novidade. Buscando preencher o vazio que é necessário. Talvez o “vazio” nos ensine a sermos mais “humanos”, nos permita sentir novas emoções, nos torne mais sensíveis. Hoje senti vontade de escrever... Mas não sei dizer sobre o quê. Minha vida é repleta de sonhos, aspirações, e vazios que eu vou tentando preencher... Repleta também de perguntas sem respostas que me fazem pensar que vale mais “viver um dia de cada vez”, e esperar a hora certa de obter respostas aos tantos porquês. Particularmente, prefiro acreditar em recomeços...

Bem, um novo ano começa, ou recomeça... Quantas coisas acontecerão no próximo ano? Vivamos pra saber! Surge uma inquietude... Talvez seja necessário fazer planos? Será que não conseguimos “viver um dia de cada vez”? Será que as pessoas estão se contradizendo a todo instante? Acho que as pessoas não possuem a necessidade de saber quanto tempo vão durar, mas do que se esperar do tempo que virá. Mas então, podemos esperar? O mundo de nada sabe das questões individuais... Mas nós, humanos, nós sabemos!

PS: Acabo de notar que esse título serve pra mim e pra Júlia! Mais uma vez, primas em sintonia!rs

sábado, 12 de novembro de 2011

Tem alguma coisa que você queria para o mundo?

Oh, galerinha... Parabéns a todos que acreditam em um clichê ou uma frase que essa mídia manipuladora apresenta! Vocês são realmente "sensatos", normais, mais um.

Os muitos manifestantes da USP que estão querendo o fora Rodas e o fora a PM não querem isso pra "fumar maconha".  Ou vocês acham mesmo que quase toda a FFLCH e, agora, a ECA iam se juntar por essa causa? Será mesmo? Como bons brasileiros temos memória curta, neh? Pois esse movimento do fora a PM já tinha acontecido desde 2009 e no começo do ano teve novamente. Ocorreu um caso que nenhuma mídia divulgou, que no começo desse ano um menino de 10 ou 13 anos (não lembro direito) da favela  perto do campus da USP estava tentando pular a grade da piscina do centro esportivo, quando o carro da PM passou e atirou nele, o menino morreu. Sem direitos. Como alguém que nunca existiu. Junto com esse fato houve repressão nos atos da Tarifa e outros que os estudantes organizaram. Então, voltou o "fora a PM". Além de que o reitor, Rodas, ficou na eleição em 2° lugar e o governador mesmo assim, colocou-o no cargo. E a sua gestão já mostrou que ele não tem o menor senso de diálogo com os que ele deveria se preocupar, os estudantes; ou a tal democrácia (como o Alckmin diz). To achando que o único diálogo que ele tem é com os tucaninhos na floresta da direita.

E poxa, os estudantes não são cegos também de não saberem que há a necessidade de melhorar a segurança no Campus. Ai se tomou por exemplo o caso do garoto de economia que foi morto no estacionamento... Ah, a PM já ocupava o campus aquela época, ok? Aqui mesmo fala: "MAS E A DIMINUIÇÃO DE 60% NA CRIMINALIDADE APÓS O CONVÊNIO USP-PM? São dados corretos. Porém a estatística mostra que esta variação não está fora da variação anual na taxa de ocorrências dentro do campus ( http://bit.ly/sXlp0U ). A PM, portanto, não causou diminuição real da criminalidade na USP antes ou depois do convênio. Lembre-se: ela já estava presente no início do ano, quando a criminalidade disparou." ( http://www.facebook.com/note.php?saved&&note_id=315711538455058#!/notes/jannerson-xavier/esclarecendo-o-caso-usp-pra-quem-v%C3%AA-de-fora/2459499642739 )

Os estudantes querem a PM fora porque uma universidade precisa de liberdade para promover seus pensamentos, suas inquietações e manifestações, afinal se isso não partir dos jovens vai vir de quem? Pois universidade é, sim, para estudar, mas é a fase que você tem para abrir a cabeça, descobrir e testar o mundo e fazer algo melhor para ele. Universidade não tem que ser só um lugar para estudar.

E se acha que manifestação é "coisa de vagabundo" devia achar isso quando os políticos roubam e colocam leis que só melhoram a bunda deles e ninguém fala nada. Por quê? Ah, porque não dá tempo de você reivindicar isso ou aquilo, o que acha de errado? Mas pra falar mal de quem tá fazendo a sua reivindicação, você consegue, não é? Uma sociedade sem espaço para revidar em paz, é uma sociedade morta. Ainda não chegamos nesse ponto, porque mesmo quando os jovens da USP e de todas as outras universidades públicas e privadas são reprimidos, ainda assim, continuam lutando e fazendo valer a vida que têm. A Vida num sentido maior, de fazer diferença.

Mas voltando, se a Rede Globo, Veja, Estadão, SBT, entre outras destas mídia manipuladoras que se mostram a favor do PMDB, Geraldo Alckmin e Rodas, essas ai que você não precisa correr atrás, é só abrir o olho e engolir, se essas fontes de informação que usa com a maior parcialidade sobre o assunto, então vamos lá... Os estudantes querem o fora do Campus, mas também criticando o que o que eles fazem fora, quando sobem morros e matam ou batem injustamente (vá saber o que é justo também...), a própria corrupção que há nela, as abordagens que fazem nas ruas com qualquer um que se mostre “estranho” e até quando batem ou atiram de graça etc. Porém numa universidade eles não querem uma polícia que porta arma de fogo ou uma polícia fruto da repressão que porta estrelas no peito que significam atos realmente “dignos de Honra” (olhem - http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/gilberto-maringoni-brasao-da-pm-paulista-e-um-tapa-na-cara-do-povo-brasileiro.html ) e que não seguem a lei também na hora da ação. Pois é ilegal tirarem as identificações como fizeram nas manifestações (isso fazem quando vão matar ou bater sem temer serem punidos), jogarem gás lacrimogêneo em lugar fechado (tal como jogar no corredor do CRUSP!) ou jogarem esprei de pimenta na olho do mais próximo ou bala de borracha mirando na cabeça ou no peito. Eles querem segurança, sim, aumentando a iluminação, colocando câmeras e aumentando a guarda universitária com concurso e treinamento em direitos humanos e com a inserção de mulheres nela (o que é ainda proibido).

Estão lutando pelo que querem, eles se sentiram incomodados com isso e se manifestaram. Não estão pensando que estão "acima da lei" ou "acima do resto dos estudantes", só estão protestando. E protestando com símbolos maiores que existem em todo o mundo, "a corrupção e a segurança", isso sim.
Olha meus queridos, vocês que falam que "só tem maconheiro na USP", acho melhor sair de casa ou ir estudar então, seja em universidade pública ou privada vocês podem encontram pessoas que fumam maconha e outros - isso tem em todo lugar, até em colégio público e privado, nas festas, nas baladas, nos becos e nas melhores festas. E mesmo quem fuma também não perde o direito de se manifestar, porque tem um bando de hipócritas que já experimentaram e ficam falando ou os que têm a "conduta correta e perfeita" e que continuam no seu conforto de falar e não fazer nada. Além de que QUEM TÁ LÁ foi porque conseguiu passar no vestibular, com regras e condições iguais, rico ou pobre. Então, parem de falar que são um bando de "filinhos de papai que fumam maconha". Tem isso, sim, lá, como tem os que ralam pra se manter e ambos têm os mesmos direitos de se manifestar (afinal, ainda quando jovem você é dependente da sua família e você não escolheu nascer nessa ou na outra).
O que aconteceu na reitoria foi que alguns estudantes fizeram aquilo, para mim, uma parte de radicais e também os que não estão nem ai pra nada (como sempre tem), não importa. "A questão é: os alunos estavam lá e queriam chamar atenção para a causa (ou as causas, ou nenhuma causa)... e, por enquanto, era só. Não havia nada quebrado, depredado ou destruído dentro da tão requisitada reitoria (a única marca deles eram as pichações)"  ( http://www.facebook.com/notes/shayene-metri/desabafo-de-quem-tava-l%C3%A1-reintegra%C3%A7%C3%A3o-de-posse/233831886679892 ), grande parte do que foi mostrado como quebrado destruído, foi por parte dos polícias e da mídia na hora da reintegração de posse. Particularmente, não concordo com os que ficaram lá, mas o movimento como um todo não é baseado nisso, é muito maior - ressurgiu agora com a euforia do momento. E antes a adesão não foi da maioria (a assembléia anterior mostrou isso), agora a maioria está junta, pela causa principal, com a FFLCH e a ECA unidas na greve e em atos e assembléias lotadas.

Se vocês vão falar de patrimônio público, falem isso quando é descoberto um caso de corrupção( são milhões desviados). Do mesmo jeito que você paga imposto, eles também pagam. Só que você tá quieto e eles não. Não tem como uma manifestação ocorrer sem mexer com ninguém, se não, não tem como provocar. Para a Alemanha nazista os que estavam contra ela também deviam ser retratados como “terroristas” ou os judeus como bichos. Para os EUA a Rússia era um monstro (Mas e a bomba de Hiroshima? E os muitos que passam fome na África pra sustentarem as grandes empresas e os mais podres de rico?). Para a Rússia os EUA também era demônio (mas e os que Stálin matou?). Para os ingleses os indianos na Marcha do Sal deviam estar sendo vagabundos que não queriam trabalhar, neh? Para os militares que matavam nos porões, a oposição comia criancinhas e eram os piores ditadores (e a democracia que tanto defendem hoje... Veio dos militares?). Para eles, vários dos artistas que vocês ouvem nos seus foninhos de ouvido, eram “bandidos da ordem”, não é?

Então, tomem muito cuidado quando forem ver as coisas e formar opiniões sobre elas, vai saber bem por que ângulo você está olhando ou recebendo o olhar. Antes disso, não julgue, não seja hipócrita, nem determinista. Hoje, você pode estar pensando assim por estar de fora, de longe, vai saber se um dia não sente na pele? Todos erramos, todos fazemos alguma besteira. A diferença é o que fazemos como algo maior.

Falar que “pagam de revolucionário" ou "que pagam de comunista” é ignorância, numa sociedade que só tem como sobreviver sendo capitalista. Significa que você não pode ter uma ideia diferente? Querer que o mundo seja diferente? Porque se acha que só o pobre pode revidar, então o pobre é o socialista real? E outra, Cuba ou China nunca chegaram nem perto do que o comunismo tem por ideal. No caso da USP, se você não tá lá, não fala que todos são assim ou assado, eles tão lutando por algo justo. Liberdade e democracia real começa por não ter a necessite um polícia para reprimir, nem mídia para manipula, nem políticos que fazem leis só para o próprio benefício. Nem população que ainda é mantida como bestializada, massa de manobra.  Alias, tem alguma coisa que te incomoda nesse mundo? E o que você tá fazendo para mudar? Tem alguma coisa que você queria para o mundo? E você tá colocando nele?
E se estão lutando por uma causa que é muito maior, que chega a toda a sociedade, não venham dizer que tinham que fazer algo realmente e não ”achar que estão fazendo revolução lá dentro” porque que precisamos mudar o mundo pelo que está ao nosso redor, não? Pelo nosso mundo, no micro, no pouco e assim vamos começar a fazer a diferença. Se cada um mudar o que acha errado dentro do seu espaço e dentro de si mesmo, teríamos uma sociedade melhor.

Não sou da USP, nem quero pagar de qualquer coisa escrevendo isso. Só acho que como pessoa, tenho o direito de colocar minha opinião nesses debates que andam surgindo. E claro que não precisam aceitar, alias, eu também tenho a aprender.

Obrigada.

Segue um arquivo aqui que eu fiz com vários textos, fontes, notícias, imagens sobre o assunto, olhem, tem muita coisa interessante. Tente analisar sem preconceito, de cabeça aberta. Não somos donos da verdade, nem mesmo eu. (Caso não abra o link, posso mandar no email).

sábado, 29 de outubro de 2011

Vaivém

“Nunca se distingue bem o vivido do não vivido”

Sophia de Mello Breyner Andresen

CIDADE

Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,

Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,

Saber que existe o mar e as praias nuas,

Montanhas sem nome e planícies mais vastas

Que o mais vasto desejo,

E eu estou em ti fechada e apenas vejo

Os muros e as paredes, e não vejo

Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.

Saber que tomas em ti a minha vida

E que arrastas pela sombra das paredes

A minha alma que fora prometida

Às ondas brancas e às florestas verdes.

Este é um poema de mais uma poetisa portuguesa, Sophia de Mello Breyner Andresen. Escolhi fazer a análise do poema Cidade por ser um dos meus poemas preferidos da autora. Antes de ater-me à análise em si, é válido esclarecer que a poesia para Sophia tem três sentidos: a Poesia, com P maiúsculo, é uma necessidade, é algo essencial para viver. A autora ainda escreve em seu ensaio Poesia e realidade: que “a Poesia existe em si – independente do homem.” (...) “a Poesia é a própria existência das coisas em si, como realidade inteira, independente daquele que a conhece”. A poesia, com p minúsculo, seria então “a relação do homem com a Poesia”. Por fim, o terceiro sentido da palavra poesia é poema, a linguagem da poesia. “O poeta vê a Poesia, vive a poesia e faz o poema.”

Como pude observar, no poema Cidade encontram-se muitos elementos referentes à natureza. Como mar, praia, montanhas, florestas, entre outros. A partir dessa observação, já se percebe um marco da poesia de Sophia. No prefácio de uma de suas obras já se encontra uma citação da autora: “Nasci (...) entre a cidade e o mar”. Em especifico neste poema, o titulo já diz qual o objeto (o tema) tratado no mesmo: a cidade. Através da observação de Sophia ela descreve o essencial modo de ser das coisas. Segundo Eduardo Prado Coelho, há uma “exaltação afirmativa do real”. Como já atentei mais acima quanto aos elementos da natureza, devo dar atenção em especial para o “mar”, local bastante privilegiado na poesia de Sophia. A poetisaa vê o mar como um modelo de perfeição.

Em contrapartida percebe-se que a cidade é representada no poema como um grande inimigo. Idéia explicitada nos dois primeiros versos: “Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas, / Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta”. Coelho diz em Sophia, a lírica e a lógica que a autora tem dois grandes inimigos: a cidade e o tempo. A cidade é representada como um polvo na obra de Andresen. E posso até arriscar o motivo. Imaginando um polvo, a primeira coisa que me vem à cabeça é aquele molusco com oito tentáculos que fazem movimentos incessantemente. Seria então algo que não tem paz, quietude, seria uma coisa em movimento constante, trazendo assim, bagunça, rumor, caos.

Nos versos seguintes: “Saber que existe o mar e as praias nuas,” / “Montanhas sem nome e planícies mais vastas”. Percebe-se um tom de inconformismo, que é confirmado nos versos seguintes: “E eu estou em ti fechada e apenas vejo” / “Os muros e as paredes, e não vejo” / “Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas”. Sophia então não se conforma em viver presa à cidade, ao caos, e ser privada de ver o mar, enxergar um horizonte maior e a mudança de fases da lua.

Na última estrofe: “Saber que tomas em ti a minha vida” / “E que arrastas pela sombra das paredes” / “A minha alma que fora prometida” / “Às ondas brancas e às florestas verdes.”, todo o descontentamento com a cidade vem à tona novamente. Nestes versos Sophia diz que a cidade é capaz de “prendê-la”, tornar sua vida obscura. Podemos vê-la até como o exílio. Neste caso, pode-se compreender o exílio no contexto deste poema como uma condição humana imposta aos homens. E até comprometer sua alma, prometida às ondas e às florestas, ou seja, as coisas boas, belas. Aqui se encontra presente mais uma vez o elemento mar (ondas). E percebe-se que todas as vezes em que Sophia se refere a esse elemento há uma positividade, um enorme apreço por este elemento.

Partindo para uma análise estrutural, Rosa Maria Martelo fala sobre a necessidade de Sophia em transitar da palavra para a sílaba em Sophia e o fio de sílabas. Para ela

“Sophia sempre entendeu que a sua poesia não se faria nem com idéias nem com palavras, mas com sílabas, e que o seu conceito de justeza da linguagem poética radica precisamente nessa perspectiva.”

Quanto ao ritmo do poema, percebe-se a predominância do ritmo binário ascendente: um acento fraco (breve) seguido de um acento forte (longo). Nos versos de Cidade as rimas são marcadas de tal forma: a/b/a/b/c/c/c/a/d/e/d/e. Pude notar ainda que as consoantes [s] e [m] são bastante marcadas no poema. Rosa Maria nos chama atenção quanto a isso, na questão da oralidade na poesia de Sophia. Pois, quando criança, Andresen

“pensava que os poemas não eram escritos por ninguém, que existiam em si mesmos, por si mesmos, que eram como que um elemento do natural, que estavam suspensos, imanentes. E que bastaria estar muito quieta, calada e atenta para os ouvir”.

Neste sentido, o leitor é convidado a ouvir e sentir o fluir das palavras enquanto desfruta do poema.

Já que se trata da análise de apenas um poema, muitos aspectos da poesia de Sophia ficaram de fora do texto. No entanto, o esplendor de sua obra ainda pode ser bastante explorado. Que esta humilde análise tenha trazido pelo menos um pouco de Sophia para dentro de cada leitor, e que desperte o interesse de novos espectadores por essa poetisa sui generis. Termino minha análise com alguns versos de um grande amigo de Sophia, o poeta Eugénio de Andrade, os quais dizem: “Sempre que penso nela vejo o mar, muito nítido e azul ao fundo” .

sábado, 10 de setembro de 2011

Estilos de época – o Barroco e o Arcadismo


Realizar-se-á um breve estudo acerca de dois “estilos de época” – o Barroco e o Arcadismo –, apontando as principais diferenças existentes entre um e outro. Visando tal objetivo, traçar-se-á uma síntese dos contextos históricos durante os quais prevaleceu cada uma das escolas literárias. Serão citados os mais representativos autores de cada estilo, objetivando confirmar as idéias aqui expostas.

O século XVI trouxe inúmeras mudanças ao continente europeu. As Grandes Navegações propiciaram a ampliação dos limites geográficos do mundo então conhecido pela Europa. Acreditando em sua capacidade de dominação e transformação da natureza por meio do uso da razão, o homem buscou a descoberta de novos conhecimentos científicos, resgatando a cultura clássica. Por outro lado, em 1517 ocorre a chamada Reforma. Lutero, opondo-se a Igreja Católica, funda uma nova corrente cristã, o protestantismo. Empenhada em recuperar o rebanho de fiéis perdido em muitas partes do continente para os protestantes, a Igreja deu início àquilo que se convencionou a chamar de Contra-Reforma. A criação nesse contexto da Companhia de Jesus insere-se nesse esforço de luta contra o protestantismo, visto que tal ordem religiosa enviou grandes contingentes de missionários a vários continentes. O século XVII presenciou alterações no quadro econômico, social, político e religioso. É o período em que a burguesia, dotada de grande poder econômico, se vê excluída da ascensão nas esferas social e política. Fazem-se sentir nesse momento, os reflexos das crises religiosas do século anterior: a Reforma (1517) e a Contra-Reforma (1563). É, portanto, uma época de ruptura e mudança de valores religiosos, durante a qual há a convivência entre formas de pensamento antigas e modernas. Essa dualidade refletir-se-á de forma bastante sensível na literatura produzida nesse período, o chamado Barroco. O século XVIII assiste a um fortalecimento sem precedentes do poderio econômico da burguesia. A antiga aliança entre esta e a nobreza é quebrada inicialmente na Inglaterra (1640-1688) e posteriormente, com maior vigor, na França (1789). Os valores cristãos passaram a ser duramente combatidos com base nos ideais iluministas, que pregavam o uso da razão e dos conhecimentos científicos. Este contexto histórico propiciará o surgimento de uma nova escola literária, o Arcadismo.

Em primeiro lugar, é preciso destacar que o Arcadismo como “estilo de época” surgiu como contraponto ao Barroco. Obviamente, os árcades buscaram distanciar-se da estética barroca. Um primeiro ponto por eles criticado foi o exagero do Barroco. A ele contrapuseram uma simplicidade na forma. Nos poemas barrocos o exagero está sempre presente como no uso de vocabulário rebuscado e trabalhado ao extremo, uso de figuras de linguagem (principalmente a antítese, o paradoxo e a gradação). Por exemplo:

“Anjo no nome, Angélica na cara,
Isso é ser flor, e Anjo juntamente,
Ser Angélica flor, e anjo florente,
Em quem, se não em vós se uniformara?”
(Gregório de Matos)

Nesse trecho citado acima há aspecto cultista (jogo de palavras) entre “Angélica” e “anjo” e entre “flor” e “florente”. A estética neoclássica procurou a leveza e a clareza de idéias, a linguagem direta e clara em contraposição aos hipérbatos e paradoxos barrocos.

O Barroco se caracterizou também por uma falta de unidade, certa confusão entre as mentes da época. O Arcadismo se diferenciou por mostrar um ideal em comum. O desprezo pela vida urbana e o gosto pela paisagem campestre – sintetizados pela expressão latina fugere urbem (fuga da cidade) – são exemplos de ideais compartilhados pelos árcades. Os versos a seguir, escritos por Claudio Manuel da Costa no século XVIII, ressaltam a violência da cidade, em oposição à paz do campo:

Quem deixa o trato pastoril amado
Pela ingrata, civil correspondência
Ou desconhece o rosto da violência,
Ou do retiro a paz não tem provado

O Arcadismo ou Neoclassicismo busca imitar o Classicismo. Exemplo disso é Basílio da Gama, que teve influências do classicista Luís de Camões. Em seu livro Uraguai, o episódio da morte de Lindóia lembra o episódio da morte de Inês de Castro em Os Lusíadas.

“Inda conserva o pálido semblante
Um não sei quê de magoado e triste,
Que os corações mais duros enternece.
Tanto era bela no seu rosto a morte!”

Se os árcades vêem na imitação aos clássicos renascentistas o critério para a formação de bons poetas, o Barroco preza a restauração da fé religiosa medieval. No trecho a seguir, o Padre Antonio Vieira procura persuadir seus ouvintes a não se envolverem com as idéias da reforma religiosa protestante.

“A uns mártires penduravam pelos cabelos, ou por um pé, ou por ambos, ou pelos dedos, polegares e assim no ar, despidos, batiam e martelavam com tal força e continuação, os cruéis e robustos algozes, que ao principio açoitavam os corpos, depois desfiavam as mesmas chagas, ou uma só chaga até que não tinha já que açoitar nem ferir. A outros estirados e desconjuntados no ecúleo, ou estendidos na catasta aravam ou cardavam os membros com pentes e garfos de ferro, a que propriamente chamavam escorpiões, ou metidos debaixo de grandes pedras de moinho, lhes espremiam como em lagar o sangue, e lhes moíam e imprensavam os ossos, até ficarem uma pasta confusa, sem figura, nem semelhança do que dantes eram. A outros cobriam todos de pez, resina e enxofre, e ateando-lhes o fogo, os faziam arder em pé como tochas ou luminárias, nas festas dos ídolos, esforçando-os para este suplicio como lhes dar a beber chumbo derretido.”

O fragmento supracitado é marcado também pelas influências da Contra-Reforma e, portanto, pelo esforço de contenção do protestantismo. A essa fé cristã contrapunham os árcades o uso da razão. Sendo o arcadismo uma expressão artística da burguesia, certos ideais políticos e ideológicos dessa classe – formulados pelo Iluminismo – foram veiculados pelos poetas árcades. Idéias de liberdade, justiça e igualdade social estão presentes em alguns textos da época. Como nestes versos de Tomaz Antônio Gonzaga:

O ser herói, Marília, não consiste
Em queimar os impérios: move a guerra,
Espalha o sangue humano,
E despovoa a terra
Também o mau tirano.
Consiste o ser herói em viver justo:
E tanto pode ser herói o pobre,
Como o maior augusto.

Quanto à forma, Arcadismo e Barroco divergem radicalmente. Como foi dito anteriormente, os árcades utilizam um vocabulário simples e cultivam um gosto pela ordem direta. Além disso, seus poemas são marcados pela quase total ausência de figuras de linguagem. O seguinte poema, de Claudio Manuel da Costa, é um exemplo dessa postura:

LXII

Torno a ver-vos, ó montes; o destino
Aqui me torna a pôr nestes oiteiros;
Onde um tempo os gabões deixei grosseiros
Pelo traje da Corte rico, e fino.

Aqui estou entre Almendro, entre Corino,
Os meus fiéis, meus doces companheiros,
Vendo correr os míseros vaqueiros
Atrás de seu cansado desatino.

Se o bem desta choupana pode tanto,
Que chega a ter mais preço, e mais valia,
Que da cidade o lisonjeiro encanto;

Aqui descanse a louca fantasia;
E o que té agora se tornava em pranto,
Se converta em afetos de alegria.

Por outro lado, o Barroco revela a utilização de um vocabulário culto, o gosto pela linguagem figurada, pelas inversões e por construções complexas e raras. Um exemplo disso é fornecido pelo seguinte poema de Gregório de Matos:

Buscando a Cristo

A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.

A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lagrimas abertos,
Pois para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.

A vós pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, pra chamar-me.

A vós, lado patente, quero unir-me
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.

O poema citado também permite outros apontamentos sobre o Barroco. Desta vez não quanto à forma, mas sim ao conteúdo. O eu-lírico preocupa-se com a salvação de sua alma, ao mesmo tempo em que demonstra ter consciência de sua vida de pecados. Neste sentido, há uma dualidade. Este mesmo caráter dual também aparece num outro fragmento de Gregório de Matos:

“Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.”

Como se viu, a arte de um modo geral – e, dentro desta, a literatura–, respondeu às diversas demandas históricas que motivaram sua criação. Em diferentes conjunturas da história humana, o homem representou a realidade de maneiras distintas, com objetivos igualmente diversos. Os diferentes quadros econômicos, sociais e políticos forneceram os subsídios para a constituição de mentalidades distintas, que por sua vez presidiram as formas pelas quais o homem apreendia a realidade e construía sua representação. Assim, a períodos de intenso fervor religioso seguiram-se fases de crença na capacidade humana para a resolução dos problemas impostos pela vida em sociedade; a fases de otimismo com relação à vida em sociedade seguiram-se momentos de desgosto em relação ao próprio homem. Espera-se, com esta breve exposição acerca das escolas literárias do Barroco e do Arcadismo, ter demonstrado essas vicissitudes da existência humana e de sua vida social, e a maneira pela qual imprimiram sua marca à produção artística.


sábado, 3 de setembro de 2011

Nacionalismo e a Literatura Brasileira

O objetivo do presente texto é discorrer sobre o tema do nacionalismo e suas relações com a literatura brasileira. A discussão girará em torno de dois aspectos importantes dentro do tema: a construção necessária do imaginário nacional e a crítica a esse nacionalismo.

A história do Romantismo no Brasil confunde-se com a própria história política brasileira do início do século XIX. Fatos como a invasão de Portugal por Napoleão e a subseqüente transferência da Coroa Portuguesa para o Brasil, ambos ocorridos em 1808, afetam profundamente a vida brasileira e contribuem para o processo de independência política nacional. A Independência, ocorrida em 1822, desperta a consciência de intelectuais nacionais para a necessidade de se criar um imaginário nacional com suas próprias raízes históricas. O Romantismo, antes mesmo de ser uma reação à tradição clássica, assume um importante papel no sentido de ser anticolonialista e antilusitano. Quanto a isso há um especial interesse, uma vez que a rejeição à Europa e aos seus códigos culturais dará o tom às criações artísticas dos românticos. O enaltecimento da figura do índio insere-se nesse movimento. Portanto, um traço essencial do Romantismo é o nacionalismo. Este se revela um norte ao movimento, abrindo um leque a ser explorado. Além do indianismo, tem-se também o regionalismo, a pesquisa histórica e as críticas nacionais, todos sendo aspectos ligados intimamente à constituição de uma identidade verdadeiramente brasileira.

Para a construção do imaginário nacional revelou-se de suma importância o apelo aos aspectos naturais do território, responsáveis em grande medida – aos olhos desses primeiros nacionalistas – pela formação de uma sociedade pacífica, democrática étnica e religiosamente, cuja existência seria marcada pela abastança e paz social. Referindo-se a esse nacionalismo “primitivo”, Antonio Candido nos diz:

(...) correspondia em primeiro lugar a um orgulho patriótico de fundo militarista, nutrido de expulsão dos franceses, guerra holandesa e sobretudo do Paraguai. Em segundo lugar vinha a extraordinária grandeza do país, com o território imenso, o maior rio do mundo, as paisagens mais belas, a amenidade do clima. No Brasil não havia frios nem calores demasiados, a terra era invariavelmente fértil, oferecendo um campo fácil e amigo ao homem, generoso e trabalhador. Finalmente, não havia aqui preconceitos de raça nem religião, todos viviam em fraternidade, sem lutas nem violências, e ninguém conhecia a fome, pois só quem não quisesse trabalhar passaria necessidade. (CANDIDO, 1995, p.13)

O papel desempenhado pela literatura não deve, em hipótese alguma, ser diminuído numa análise sobre a formação de um imaginário nacional entre os brasileiros e a posterior crítica a esse nacionalismo. Antonio Candido define o Romantismo como um “nacionalismo literário”. Os hinos laudatórios oitocentistas, como o próprio Hino Nacional, são representativos desse “amor febril” pelo Brasil. A literatura desse período, como demonstra Candido, inseria-se num contexto mais amplo de quebra dos laços que ligavam os brasileiros à Metrópole. Diz o autor:

O Romantismo no Brasil foi episódio do grande processo de tomada de consciência nacional, constituindo um aspecto do movimento de independência. Afirmar a autonomia no setor literário significava cortar mais um liame com a mãe Pátria. Para isto foi necessário uma elaboração que se veio realizando desde o período joanino, e apenas terminou no início do Segundo Reinado, graças em grande parte ao Romantismo que, importando em ruptura com o passado, chegou num momento em que era bem-vindo tudo que fosse mudança. O Classicismo terminou por ser assimilado à Colônia, o Romantismo à Independência – embora um continuasse a seu modo o mesmo movimento, iniciado pelo outro, de realização da vida intelectual e artística nesta parte da América, continuando o processo de incorporação à civilização do Ocidente. (CANDIDO, 1995, p.10)

Aspirando a uma construção sólida da identidade nacional, que filiasse o Brasil a um passado independente da intervenção européia, havia a necessidade de personagens que reunissem em si os aspectos definidores da “brasilidade”. O índio atende a esse pré-requisito básico. Vê-se em Gonçalves Dias o maior representante da corrente dita “indianista”. Por meio de suas poesias, este escritor enalteceu tanto a figura do indígena como a natureza do Brasil – “I-Juca Pirama” e “Canção do Exílio” representam, respectivamente, estes dois aspectos –, construindo um verdadeiro projeto de identidade nacional.

Se por um lado tem-se esse comprometimento com a construção de um espaço nacional, de culto à glória da Nação, por outro deve-se destacar a atuação de indivíduos cujos esforços foram no sentido de negar os pressupostos erigidos pelos nacionalistas e demonstrar a falácia de suas idéias. Um dos pontos criticados diz respeito ao próprio esforço de fuga aos padrões europeus, do qual o enaltecimento da figura do índio faz parte. Há autores que criticam o nacionalismo tanto do ponto de vista de seus aspectos formais quanto do ângulo de sua visão conservadora, baseada em costumes europeus. A esse respeito Sandra Jatahy Pasavento diz:

[...] Embora o romantismo se volte para o específico e o singular, que dariam o tom original brasileiro no contexto da civilização ocidental, seu padrão de referência ainda é a Europa. Na falta de um passado clássico ou de uma Idade Média, José de Alencar vai idealizar o substrato nativo, nas trilhas do indianismo romântico que permite criar o “mito das origens” para o Brasil [...] A positividade das virtudes do índio era afirmada como compensação simbólica diante da carência das tradições históricas que a Europa esbanjava. Romantizado o contato com o homem branco [...] O resultado é uma recriação imaginária distante das condições concretas da existência, mas que não invalida a sua força de representação. A leitura do real feita pelo texto literário era dotada de uma alta carga de positividade para a elite branca escravista e se apresentava como plausível e conveniente [...] Por outro lado, a menção a uma América como pano de fundo para performance brasileira, encontrada na prosa e poesia romântica, não constitui um horizonte para a construção da identidade nacional.(PASAVENTO, 1998, p.25)

Leyla Perrone remete a outro motivo pelo qual haveria tamanha necessidade em constituir nossa imagem diante do Outro, mencionando o fato de sermos um “lugar desprovido do passado do Outro e destituído do seu próprio passado”. Perrone destaca a importância da literatura como agente efetivo na constituição da consciência nacional, no Brasil e nas outras nações latino-americanas. Observa a autora:

[que] “Numerosos estudos sobre o nacionalismo demonstraram que a nação é um conjunto de imagens, e que ela se constitui graças a metáforas. Algumas metáforas utilizadas nos discursos identitários da America Latina nos permitem captar as dificuldades da constituição de sua auto-imagem e verificar que essa imagem depende sempre do outro europeu, quer seja para imitá-lo, quer para rejeitá-lo.” (MOISES, 2007, p.33)

Percebe-se que as metáforas criadas são demasiadamente autodepreciativas, ou, pelo menos, conflituosas. Exibem claramente um sentimento de inferioridade em relação à Europa. A questão de americanismo aparece em vários autores latino-americanos, inclusive em Sérgio Buarque de Holanda:

“Trazendo de países distantes nossas formas de convívio, nossas instituições, nossas idéias, e timbrando em manter tudo isso em ambiente muitas vezes desfavorável e hostil, somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra”. (HOLANDA, 1981, p.3)

À consolidação da independência política do Brasil ou, em outras palavras, ao advento do Estado nacional entre nós teve de corresponder, no plano do imaginário, a formação de uma identidade propriamente brasileira. A partir de então, um novo Estado deveria construir a figura de seu próprio povo, traçar uma história para o mesmo e dar-lhe símbolos nacionais aos quais cultuar. Tal processo de formação da identidade brasileira – baseado no enaltecimento dos povos primitivos e das características naturais do território –, e que veio a culminar no surgimento do nacionalismo serviu-se em grande medida da literatura como veículo para suas idéias. Poesias, romances e hinos cantaram as belezas naturais do país cujo povo – refletindo a grandeza territorial, a riqueza da fauna e da flora e a abundância de outros recursos naturais – organizou-se numa sociedade pacífica e próspera. Séculos de uma história marcada indelevelmente pela violência e pelo derramamento de sangue foram esquecidos em nome de uma idealização do passado que visava à formação de uma identidade útil ao presente, demandada por elites dominantes e construída por intelectuais e artistas comprometidos com a causa. Em sentido oposto, a crítica a esse movimento de construção da “brasilidade” é profundamente frutífera, ao demonstrar o caráter ideológico dos discursos por ele engendrados e os pressupostos sobre os quais foram construídos, ampliando a percepção das bases políticas, econômicas e sociais sobre as quais foi erguido nosso próprio país.


domingo, 7 de agosto de 2011

Os anos passam?

Frágeis. Somos vulneráveis. Na infância todo ser humano é assim: inocente, frágil, vulnerável... Eles crescem e... De onde vem a coragem? Essa é uma pergunta sem resposta, a resoluta dúvida que somente no infortúnio, na morte mesmo, encoraja! E em sua derrota anima a alma a ser forte.

Faz-se a vontade do tempo, talvez? Neste momento o ser humano está num confinamento contra si mesmo. Como a água do mar que bate no abismo tentando correr livre, mas é incapaz de ser...

Quem no sentimento espera assim age. Conformidade. O pássaro, que ao cantar se engrandece, e torna forte o corpo aprumado. Embora cativo, seu poderoso canto diz: o pensamento é humilde; o ser humano devia ser mais humilde. Por que ele não percebe o quão puro é o regozijo? Ele é incapaz de realmente ser HUMANO do latim humanus que quer dizer – além de "do homem ou a ele relativo" – BONDOSO. Isto é mortalidade, isto é eternidade.