quinta-feira, 5 de maio de 2011

No more tears

Quantas vezes me fechei para chorar
na casa de banho da casa de minha avó
lavava os olhos com shampoo
e chorava
chorava por causa do shampoo
depois acabaram os shampoos
que faziam arder os olhos
no more tears disse Johnson & Johnson
as mães são filhas das filhas
e as filhas são mães das mães
uma mãe lava a cabeça da outra
e todas têm cabelos de crianças loiras
para chorar não podemos usar mais shampoo
e eu gostava de chorar a fio
e chorava
sem um desgosto sem uma dor sem um lenço
sem uma lágrima
fechada à chave na casa de banho
da casa da minha avó
onde além de mim só estava eu
também me fechava no guarda-vestidos
mas um guarda-vestidos não se pode fechar por dentro
nunca ninguém viu um vestido a chorar.

Bem, esse é um poema de uma poetisa portuguesa que gosto muito, Adília Lopes. No semestre passado estudei um pouco sobre ela e fiquei fascinada por suas poesias. Desde então, sempre que posso... Leio seus poemas. Mas ontem aconteceu algo inusitado. Eu estava mais sentimental do que o normal - e olha que eu já sou BEM sentimental -, chorei bastante! Mas chorei de alegria. Cada vez mais descubro o quão importante que são as pessoas que vivem ao meu lado, as pessoas que estão prontas para me auxiliar, pra dizer que me amam, sempre!
Acabo de receber uma mensagem da Júlia! Acho que temos algo muito maior que nos une, do que o laço familiar. Foi como uma tranmissão de pensamento, estava mesmo pensando nela. Ela diz: "Bom dia Tha" Ah, não me fala isso! Também chorei (...)". Mas depois ela diz: "grite, ria..." Então, concluo que antes podia chorar por causa do shampoo... A Johnson & Johnson chegou e agora não há motivos pra lágrimas, não é? Mesmo assim, o poema diz sem um desgosto sem uma dor sem um lenço continuamos chorando! Afinal, acho que chorar faz bem. Dizem que lava a alma! E mais do que isso, nos faz pensar mais nas pessoas que amamos e que não temos oportunidade de demosntrar sempre. Para terminar com versos bonitos, eu digo gritando como a Júlia sugere: EU TE AMO E PRA SEMPRE VOU TE AMAR!

Dos loucos, só mais um, não?

Hoje é uma quarta-feira, esse dia é muito chato pois temos como falamos "plano TIM. Plano infinity e ainda ganhamos bônus de química" (são quatro aulas e na última veio essa associação de coisas na minha cabeça e uma brincadeira, mas até que faz algum sentido) Então, para ninguém esquecer!
A química e tudo pode traduzir um pouco de vida e ser poética do mesmo modo... A mistura de bicarbonato de sódio, detergente e vinagre, tudo com o corante AZUL e AMARELO resultam em uma espuma VERDE... (estava escrito na minha mão isso... hahaha) Uma espuma que transborda e escorre pelo vidro e então a reação acaba.
A bandeira dessa patria que dizem que é "nossa", a mistura das suas cores de dentro formam a de fora, que é a maior parte.
Bem, um dia quem sabe, quando todos esses limites impostos à nós, quando essas pátrias não suportarem mais seus superegos, sustentados pelos humanos, aí então isso tudo vai sobrecarregar e transbordar.
Então quem sabe só assim vai acabar tudo isso e começamos do zero, construíndo as coisas sem hierarquias e realmente usando as coisas com equilíbrio entre a razão e o sentimento... É isso, as aulas hoje, de química e as nossas revoltas em história se juntaram...
Sei lá se alguém me entende... Dos loucos, só mais um, não?

domingo, 1 de maio de 2011

Só uma coisa cambaleando na cabeça...

Um casal antigo uma vez me contou que quando namoravam na frente do casa dela, o pai uma certa hora da noite piscava a luz da varanda e então, ela tinha de entrar. Pois bem, eu hoje vim aqui, como todos os sábados; no cume, no no alto, no pico, no topo da cidade, em uma vista de 180° e acabei por reparar que as luzes da cidade piscam várias vezes por toda ela e o céu está mais ilumonado pela lua, dizem que "essa lua é para os namorados".
Oh, uma acaba de piscar! Um casal então a pouco vai se desgrudar, mas ao menos ficaram juntos até o portão. E se não tivessem essa luz?

Obs: só uma metáfora de crítica sobre uma sociedade que cria instituições que acaba por impor limites, regras, ordens e barram histórias, sonhos, desejos e amores tb...

segunda-feira, 28 de março de 2011

Despido de ti

Chua, chua, chua. Não! Chuaaaaaaaa....
Isso! Leia como um único movimento!
Aí você dá um passo, estende a mão e roda aquele lugar por onde deixa cair à água do chuveiro.
Nesse instante, você dá mais um passo e se entrega nu dos pés a cabeça a aquele cobertor quente, feito por retalhos de gotas que descem a sua pele e envolve teu corpo como se de ali em diante fosse tudo o que a tua alma e corpo estivessem pedindo para serem complementadas.
Nisso, fecha-te os olhos com força, como se por aquelas gotas fosse descer a tristeza do dia, descer a decepção da vida, descer as máscaras, descer a raiva, descer teu descaso, descer a sujeira e a poeira do andar incrustado no couro, descer, descer, descer e vai embora; pelo ralo.
É nesse cubo de espaço em que só sobramos nós mesmos. Despidos, abertos, sentindo-nos respirar, pensar, sonhar, gritar, chorar, ouvir o pulsar do coração e o movimento das ideias.
Então, minhas mãos desceram pelo corpo e conheceram o meu umbigo. É daí que a ideia provida pelo tempo concedido a mim, surgiu.
Vim do outro, dos outros e cortaram o que era um, para ser dois, eis que surgiu o meu eu, meu ego, meu auto, meu mono, minha vida, minha existentia.
E o que é existir? Para que existir?
Não digo isso para rever o assunto, para reforçar o clichê, mas porque como Picasso disse “quando encontrava algo para expressar, eu o fazia sem pensar no passado ou no futuro”.
Acho que é isso... Nós vivemos para esse universo conhecido, nascemos e agora vivemos, e o mais misterioso e fascinante nisso tudo é... Chamamos de vida! Que palavra curta e intensa.
Mas não é por ser a minha vida, mas o que dela faço por outras pessoas, os outros eus, os outros egos, as outras existentias.
É incrível pensar no outro ser e em como ele pode Ser, em como ele vive, pensa e sente.
          Se você aí, desse lado que está me lendo, está me entendendo é porque temos algo em comum; todos temos. Mas não digamos que somos iguais, pois nossas diferenças são como a cereja na ponta da existência.
Agora, é estranho pensar em como cada pessoa ou coisa qualquer que passa ao nosso redor, nós podemos aprender algo com o mesmo.
Mas aí você acorda e não olha e admira o Sol e o Céu, anda e não vê a terra na poeira, no contato da superfície dos sapatos com os pés, passa de cabeça erguida e não conversa com o mendigo, com o vendedor de brincos, com o moço jovem que estava na loja ou não conversa como pessoa com o seu professor, com o seu chefe, com o empregado, com o frentista que abasteceu o seu carro, com o seu filho, com seus pais. Do mais longe ao mais próximo, elas não estão precisamente longe do passo de cada dia, longe de tal cotidiano.
Bem, até podem estar. Porque não? Porque não ter algumas criatura inventadas e idealizadas que só existem dentro de nossas cabeças? Se elas levam algo que acrescenta em nosso eu, é válido. Mas não esqueça jamais: hão de existir muitos na aparência mais singela, real e próxima de ti.
Tiremos as máscaras que encenam papéis sociais e vejamos pessoas, conversemos com elas; para nos tornarmos mais humanos, ali há estórias, bons conselhos, uma visão de mundo, um ângulo oposto, algo em comum e algo de diferente, esse é o mistério de ser.
E sobre ser... Ah, somos todos filhos, pelo fato de sermos crianças que tão pouco compreendem a bela teoria e ficam cambaleando entre a vida, entre os acertos e os erros.
Isso! Uma Vida.
Eternas crianças... Em busca do crescimento. Crescimento do que?
Não sei. Hum... Procuremos o nosso.
Olhe ali! Olhe do lado! Olhe do outro lado!
Agora para dentro!
Esse é você! Senhor humano!
O que tu és? Não sabes?
Então de um passo... E chuaaaaaaa! Abaixe a cabeça na água do barulho e se entregue despido de ti.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sou apaixonada!

Aeeee! Aniversário de São Paulo!
Bem, a pouco tempo e eu diria que “não tenho orgulho de São Pulo” (revidando ao que ouvi uma vez sendo pronunciado por uma “possível cidadã paulistana” que passou em um desses comerciais da prefeitura – “Eu tenho orgulho de São Paulo”) E eu ficava com isso martelando na cabeça... “Eu não tenho orgulho de São Paulo”. Digna de quase me considerar cidadã Itapecericana (Adoraria... Mas não posso) Eu diria a pouco tempo atrás “Eu tenho orgulho de Itapecerica”, já que pensava nas questões de preservação do meio ambiente, qualidade do ar e qualidade de vida... hahahahahaha Mas isso foi a alguns anos atrás... Já que nesses últimos anos, no auge da adolescência, fase de nos transformamos e consolidamos uma personalidade, digo que um dia minha concepção mudou bastante...
Quando um dia pela janela do banco de trás do carro, observava por onde o carro estava passando, até que percebi... Estava no centro de São Paulo! Não era novidade, mas acho que nunca abri meus olhos para o quão poético era aquele lugar!
Desde então, passei a ser admiradora ácida de cada canto dessa metrópole, deixo de lado as questões ambientais, porque é tão mais bonito ver que essa cidade pode mostrar um reflexo do país, no sentido de miscigenação, é lindo poder andar e ver essa mistura nas pessoas, nas construções, na arte, monumentos, centros culturais e por vai... São tantos!
Fora que com um olhar mais poético, em me sinto tão viva, encontrada e identificada por essa cidade! Não só eu, mas por ela ser tão flexível, acho que qualquer um consegue se sentir acolhido aqui... Desculpem-me, talvez esteja sendo romântica demais, mas o romantismo é digno dos apaixonados... E nada como uma volta por essa cidade pra eu dizer que eu sou apaixonada por São Paulo!
Bate lá no fundo do pulsar do coração, como algo se sangue, raízes quem sabe, genética, quando meus olhos se vêm observando as avenidas largas, os prédios altos, as movimentação dos carros com seus faróis, a velocidade do metrô carregando as pessoas exaustas no fim do dia ou no farol que exibe a arte dos saltimbancos que transforma da pobreza a sua arte mais rica, alegre e apaixonante... Cada canto e parte é um charme, o charme da cidade!
Pois sim... “Alguma coisa acontece no meu coração, q
ue só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João, é que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi, da dura poesia concreta de tuas esquinas, da deselegância discreta de duas meninas...” E por aí vai... Parabéns São Paulo!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Como? Como? Mais uma vez?


Preciso colocar algo do meu cotidiano agora, não precisamente meu, mas a ler a notícia no jornal algo me encomodou profundamente. Ainda bem! Pelo menos isso. Pelo menos a minha mísera indgnação.

Simplesmente, como? Como? Como podemos ser seres pensantes, viver no tão grandioso século XXI, fazer tantos discursos de paz e aceitarmos mais uma guerra para dividir nossas diferenças? Me coloco junto desses seres humanos conformados ao ler a tal notícia...

O Sudão está se dividindo, já que por motivo colocam... Norte católico e negro e sul árabe. Diferenças! Diferenças!
A guerra está acontecendo a anos, mataram 2 MILHÕES de pessoas, para AGORA virem fazer uma votação... Votação essa entre ambos os lados, que vai ocorrer essa semana... O complicado é que mais uma questão é envolvida... O Tão Vangloriado Petróleo... O sul que quer a independência levaria também grande parte das reservas petrolíferas do país.
Desculpem-me, mas o ser humano é desumano e irracional. Talvez o mais burro animal.

Mataram milhares de pessoas que tinham sonhos, tinham vida, tinham parentes, tinham alegrias, tinham histórias. Por uma classificação de cor da pele e como se levar a visão de Deus. Mataram, pois somos intolerantes com as diferenças. Mataram, mataram, mataram!
E agora, podem conseguir... Porém a miséria, o rancor, as mágoas, a falta de esperança, tudo vai continuar.

(Folha de São Paulo, capa, 10/01/2010)

Bem, acho que toda e qualquer guerra deveria ser contada como um ERRO do passado, no qual cometemos, porém não mais como solução de problemas. É como dizer que o genocídio nazista foi algo muito ruim, porém se acontecesse de um líder dizer que outra etnia é inferior, poderíamos matá-la.
Sabe, Os fins NÃO justificam os meios. A culpa continua.

E nos nossos jornais ainda estampam os rostos felizes de americanos e sudaneses sorrindo, como se estivessem preocupados com eles. Isso me soa hipócrita e falso, no olhar dos americanos e europeus só se vê petróleo e olhe lá!